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A próposito de educadores

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Ensinos - Artigos
Escrito por Lídia Ferreira   

 

A escola pretende ensinar o domínio da ciência e do saber no intuito de preparar uma geração competente que impulsione o desenvolvimento socioeconómico e cultural da sociedade. Para tal, organiza os conteúdos dos programas de ensino no sentido da rentabilização dos anos escolares, pretendendo fornecer a maior quantidade de conhecimentos no menor espaço de tempo possível.

 

A pedagogia de hoje alerta para o facto de que ensinar nem sempre é equivalente a aprender, isto é aquilo que se pensa ter ensinado, nem sempre foi aprendido e de facto, só é ensinado o que tiver sido aprendido. Desenvolveram-se assim metodologias facilitadoras da aprendizagem que serão tanto mas eficazes quanto forem centradas no aluno. No entanto. os níveis de insucesso escolar continuam elevados e nem sempre se conseguem atingir os objectivos. Apontam-se razões que se prendem com a falta de cooperação família-escola, com a ineficácia da educação parental, tantas vezes deficiente quando não ausente e com a decadência soca dos valores. Serão razões válidas sem dúvida se a existência Ihes der a validade. Válidas mas não suficientes.

 

Fomos feitos a imagem de Deus, com a mesma capacidade e necessidade de amar que O levou a criar-nos. Criadas para a relação, as pessoas precisam de expressar e de sentir amor. Essa é a necessidade que está na base de todos os problemas humanos. Para receber amor, conformam-se, mesmo que isso signifique limitarem-se no direito de serem quem são, de expressarem a sua verdadeira identidade. Os seus sentimentos são assim camuflados, enterrados e eles ficam Iimitados na sua autonomia.

 

Jesus foi o exemplo perfeito de professor que ensina com o coração. Ele nunca Se escondeu de Si próprio e nunca Se negou ao outro. Podemos vê-lo a sós, em meditação e oração. Ele conheceu intensa luta espiritual e emocional, e nem o facto de saber quem era, O fez evitá-las. Enfrentou e venceu. Também nós teremos de enfrentar as nossas lutas se queremos crescer.

 

Jesus abriu a Sua vida e partilhou com os discípulos mais do que a teoria teológica confinada pelo farisaísmo a um conjunto de regras de fazer e não fazer, a sua própria forma de viver. Confrontou as práticas com os princípios e chamou pelos nomes as atitudes egoístas, hipócritas e arrogantes. Ensinou o respeito pelo outro, fosse que outro fosse, a abnegação, a compaixão e a bondade pelo exercício, no dia a dia, na relação com os que com eles se cruzavam e entrecruzavam. Foram lições de vida. Da Sua vida. Ensinadas com paixão, convicção e dedicação. É isso que hoje somos chamados a fazer.

 

Na escola de hoje encontramos crianças e adolescentes mutilados no interior. Encontramo-los nos corredores da violência, nos pátios do isolamento e nas salas da indiferença. Nada parece poder tocá-los de forma significativa e não sabem expressar outra coisa senão aquela incrível rebeldia. A violência é um grito de impotência, tentando chamar a atenção dos adultos para o desespero que sentem.

 

Mas também, estes adultos têm o seu próprio desespero. E a resposta a sua impotência é expressa na necessidade de exercer poder sobre os outros. Neste caso, os alunos. Assim privam-se mutuamente do bem da relação, porque todos crescemos quando partilhamos. Partilhar não significa fazer confidências mas abrir o seu mundo interior e deixar que o outro conheça os seus sentimentos. E afinal, todos têm sentimentos. Mesmo que estejam camuflados. O educador cristão também. Pode ter sido tão maltratado como os outros, ou ainda mais e tem certamente as suas dúvidas e temores interiores. Também sente a ansiedade da adaptação às novas situações, o medo de não ser aceite ou bem sucedido. Mas tem uma mais valia. sua relação com Deus. Aí aprende a desenvolver segurança interior.

 

Mas não acontecerá como que por magia. Há todo um trabalho interior a desenvolver. Em primeiro lugar ele precisa tomar consciência de si mesmo. Encetar uma viagem ao seu interior e contactar com os seus próprios sentimentos, conhecer os cantos e recantos escondidos de si que o fazem ser quem é. Descobrir o que sente a seu próprio respeito. Para estar numa relação construtiva com os outros é necessário aprender a desenvolvê-la com nós próprios. É necessário estar congruente. É auto consciência e auto-aceitação. É ser autêntico. Sem fachadas. 'Se não permitirmos que os outros entrem no nosso coração afastamo-nos deles ' Falar de nós, dos nossos sentimentos e das nossas vivências é sempre enriquecedor para os outros E pode transformar a vida do nosso interlocutor. Porque todos somos humanos e podemos identificarmos com os sentimentos e emoções que o outro expressa. a partilha afectiva é enriquecedora para todos. As crianças e os Jovens estão desejosos de trocas emocionais. Precisam de alguém que os ouça, que Ihes mostre como é SER pessoa e que os valorize como tal.

 

Só se pode dar aquilo que se recebeu, podemos argumentar. Mas será isso inteiramente verdade? Quantas vezes o facto de termos sofrido pela falta ou perda de algo significativo nos leva a tentar evitar ou minorar o sofrimento de outrem nas mesmas circunstâncias? É por isso que muitos pais marcados pela falta económica tentam dar Aos filhos uma vida melhor. Será que isso se coloca apenas em termos materiais? Não poderemos nós quebrar o ciclo da recusa emocional pelo nosso acto generoso de dar? Afinal, dar é também receber. Às vezes acontece em simultâneo, outras vezes não. Dar traz-nos satisfação e nunca é demasiado. Dar-se significa dar de si e é a forma mais profunda de dar. Transmite consideração, estima e valor ao outro como pessoa.

 

Dar-se requer disponibilidade interior para aceitar, escutar e amar o outro, de forma personalizada. É aqui que o educador cristão pode SER a diferença. Porque tem as chaves para abrir o seu próprio coração, a motivação certa para estar na relação e a capacidade de amar e logo, entender o outro.

 

O educador cristão é inevitavelmente objecto de estudo do aluno. Pode ser um "livro de cabeceira" daqueles a que se recorre frequentemente pelo prazer e utilidade que nele se encontram, ou um "livro de prateleira" de que pouco mais se conhece além da capa. É uma escolha individual.

 

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